Ar demais

Já não sei mais
Arde mais
Ar de mais
Já não saio da porta pra fora

Arde mais
Ar de mais?
Já não sei
A liberdade presa
Já não saio de mim
Existe uma multidão
Mas, não tem ninguém.
Se não, fantasmas
Até quando existirá essa mentira?
Tirem as máscaras
Você chora a noite ?
Você sabe o que quer?
O pão que alimenta, atormenta.
A tormenta que vem
Também vai
Tem medo de ficar só
Mentira?

Liberta Quae Sera Tamen

Na retina

Na retina dos meus olhos
Teu sorriso permanece
Em um bordado,
Com fios de ouro branco.
Um encontro inesperado
Inspiração
Tuas mãos gélidas
E macias, perpetua meus sonhos febris.
Eu as sinto.
Desfaleço.
O vai e vem de teus quadris
Mistura fina
Sofisticação e sensualidade
Em uma tarde de sol
Eu deixei me perder
Dentro dos teus olhos
Esse olhar, cruel/tentador
Que instiga
Seduz, sem forçar
Captura, sem amarrar.

Doce disputa

Beijo o canto da tua boca.
De um lado
Do outro
A boca seca
Anseia invadir a tua
Lábios entreabertos
Línguas
Travando uma briga por espaço.
Minha língua passeia por teu lábio
Vc não se faz de rogada e me morde
Te olho de forma intensa
E me agarro a tua nuca
Te trago pra mais perto
Fundição de boca
Língua
Mãos que ganham vida propria
Ofegantes
Nos separamos.

Cheia de vazio

Cheia de vazio, de você.

Pretérito perfeito
Perfídia dos meus sonhos
Doce eengano meu
Adentra o meu mundo
Me revira do avesso
E vai embora
Leva o que é teu,
Imploro
E deixa em mim, vazio.
Sendo eu, vazio
Não mais cheia de você
Ficarei.

Vai e Vem

Deslizando em lençóis
Eu me perco
Entre ais
E suspiros
Gemidos
Prazer sincronizado
Respiração ofegante
E eu danço com você
Um beijo
Arde
Um toque
Queima
Senhora da situação
Prendo tuas mãos com as minhas
E danço em cima
Com você
Sinta a sincronização
Vai, vem
Círculos
Eu estou com você
Me sinta.
É eletrizante o toque
Vai, vem
Círculos
Seus olhos fechados
Peço, Abre.
Olha pra mim
Enquanto te dou
Prazer
Vai, vem.
Círculos.
Vou me perder no teu mundo
E é tão bom.
Comigo.
Vai, vem.

Oração

Que a loucura, não me deixe.
E que a sensatez não feche os meus olhos e endureça o meu coração.
Que eu saiba cair e me levantar sempre mais forte,
Que eu não tema os encantos de me apaixonar pela mesma ou por várias pessoas durante minha vida.
Que eu não perca o tesão pelas coisas simples da vida.
As que são verdadeiramente belas.
Que a amizade esteja sempre presente em minha vida.
E quando lá na frente eu me lembrar da minha juventude eu possa ficar felizmente mais uma vez pelo que realizei.
Um brinde.

Pintura semi-exata, daquilo que parece não ter sentido algum.

Uma mistura de passado e futuro que nao define quase nada do seu presente.

Não existe una moldura exata, não se permite uma definição.

Dança ao ar livre quando lhe dá na teia, chora ao se deparar com a tristeza do seu irmão.

Não se contenta com as injustiças.

E isso lhe tira o sono. Vive no abandono de si mesma.

Muitas vezes não entende, mas vai assim mesmo.

Quase sempre um sorriso no rosto.

Ah, o desgosto? Ele também existe.

Mas, prefere ser assim. Inexata.

Pq a exatidão das coisas é chata e cotidiana.

Ela, não.

Prefere ser um dia de sol, chuva, frio e tempestade.

Preciso de ar

Toco e fico atenta
Me aproximo sem pressa
Um meio sorriso nos lábios
É sem aviso, chego mais perto
Seu corpo é quente
Preciso de ar,
E é aí que sinto o teu cheiro
Fico inebriada
Pele macia
Na tua nuca
Tenho um campo aberto
Exploro
Sinto
Toco
Me perco mais uma vez

Clara

Olhos negros
Inquietos
Pele alva
Casta
Clara
Sorriso aberto
Que arrebata
Passos
Comedidos
Gestos
Sutil harmonia
Que dança
Sem pretensões
Que prende
Sem amarras
Que afaga
sem toque.
Clara
Maria
Clara.

Baile de Pensamentos

Pesamentos bailando dentro da cabeça
Coração em desalinho,
Ora batendo de forma arrebatadora
Ora batendo tão devagar
Que chego a suspeitar está parando.
Um amor assim não devia haver
Aconteceu e agora?
Vejo-me perdida dentro de mim.
Não preciso da compreensão de ninguém
Muito menos de pena.
Eu não saberia explicar o que sinto
E também não tenho nem um pouco de vontade
De explicar.